Ronaldo acabara de voltar do horário de lanche. Era vigilante de um supermercado de Belém. Fazia sete meses que fora contratado. O emprego veio em boa hora. O orçamento da família aumentou agora que sua filha começou a estudar. O salário não era dos mais altos, mas o emprego era honesto.
Todos os dias ele saía de casaa no começo da tarde e pegava dois ônibus até o serviço. Quando voltava de madrugada, eram três ônibus, pois uma das linhas não passava tão tarde. Era uma rotina cansativa. Mas valia a pena. Já era conhecido dos outros funcionários e respeitado pelos superiores.
Hoje era um dia especial. Sua filha completava oito anos. Ronaldo já planejava uma pequena surpresa para ela quando chegasse em casa. Compraria um pequeno bolo e um refrigerante para comemorar. Entraria devagar em seu quarto e a acordaria. Enquanto voltava para o seu setor, apertava nas mãos uma carta que sua filha lhe escrevera no dia anterior dizendo o quanto o amava.
Perto dos caixas uma movimentação lhe chamou a atenção. Chegou mais perto para verificar, a carta segura em mãos. Era um assalto. Seus olhos se encontraram com os de um dos meliantes. Ronaldo vislumbrou um revólver sendo apontado em sua direção. Depois, nada. Só um ruído seco. Não sentiu dor. Apenas caiu para trás. Tinha em sua mão a carta, agora tingida de vermelho.

e pensar que isso acontece com mais frequência do do que se imagina... por isso o que vale é o agora, é por em prática aquilo que se pode enquanto há tempo.
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